A terceira edição do prémio do Centro de Línguas, Literaturas e Culturas (CLLC) da Universidade de Aveiro distingue uma personalidade de referência e a melhor tese de doutoramento da área de Estudos Culturais. As candidaturas decorrem até 15 de abril de 2027.
A Universidade de Aveiro abre, a 15 de outubro, o período de candidaturas à edição 2026/2027 do Prémio Internacional em Estudos Culturais – Virgínia Quaresma. Promovido pelo Centro de Línguas, Literaturas e Culturas (CLLC), o prémio presta homenagem a Virgínia Quaresma (1882–1973), pioneira do jornalismo e da emancipação feminina em Portugal, cujo legado continua a inspirar a reflexão crítica e interventiva dos Estudos Culturais contemporâneos.
Na sua terceira edição, o concurso compreende duas modalidades, com especial relevância para o espaço de língua portuguesa.
Prémio Carreira/Personalidade. Distingue uma personalidade que tenha promovido uma dimensão crítica e interventiva, teórica ou prática, dentro ou fora da academia, no campo dos Estudos Culturais. Tem o valor de 5.000 €, com o patrocínio da Zotiause. As candidaturas são apresentadas pela Rede Internacional em Estudos Culturais, pela Rede Nacional em Estudos Culturais e/ou pelo CLLC.
Prémio Melhor Tese de Doutoramento em Estudos Culturais. Está aberto a autora/es, nacionais ou estrangeiros, cuja tese tenha sido defendida há menos de cinco anos, esteja redigida em português, inglês, francês ou espanhol, se insira no campo dos Estudos Culturais e incida sobre uma temática de relevo para algum país de língua oficial portuguesa. A tese vencedora será certificada, editada e publicada em e-book de acesso aberto, sob a chancela do prémio e da Universidade de Aveiro. O Júri pode ainda atribuir duas menções honrosas.
Como candidatar-se.
As candidaturas à Melhor Tese são feitas exclusivamente online, em www.virginiaquaresma.com, através do preenchimento do formulário e do carregamento da tese integral. A participação não tem custos. Os critérios de avaliação de cada modalidade, com a respetiva densificação e ponderação fixadas em ata pelo Júri, estão disponíveis no mesmo sítio.
Júri.
É presidido pelo Reitor da Universidade de Aveiro, Professor Doutor Artur Manuel Soares da Silva, e integra o Professor Doutor Helder Ferreira Isayama (Rede Internacional em Estudos Culturais), o Professor Doutor Fernando Moreira (Rede Nacional em Estudos Culturais), a Professora Doutora Maria Manuel Baptista (CLLC), a Doutora Carina Quaresma (Presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género) e Senhor Martin Stokes (representante da Zotiause, entidade financiadora).
Datas a reter
- 15 de outubro de 2026: abertura das candidaturas
- 15 de abril de 2027, às 23h59: fim do período de candidaturas
- Junho de 2027: divulgação dos resultados
- 2027: entrega dos prémios no X Congresso Internacional em Estudos Culturais (data e local a anunciar)
Mais informações e esclarecimentos em www.virginiaquaresma.com ou através do e-mail cllc-premiovirginiaquaresma@ua.pt.
Quem foi Virgínia Quaresma
Nascida em Elvas, a 28 de dezembro de 1882, e falecida em Lisboa, a 26 de outubro de 1973, Virgínia Quaresma desenvolveu ao longo da primeira metade do século XX uma profícua carreira como jornalista, a par de uma atuação internacional pelos direitos das mulheres, pela igualdade na educação de meninos e meninas, pela democracia, pela causa republicana e pelo pacifismo. É reconhecida como a primeira jornalista em Portugal: afastou-se dos lugares e modos de escrita comummente reservados às mulheres e dedicou-se à reportagem de investigação, seguindo os princípios da objetividade e do apuramento exaustivo dos factos. Escreveu em importantes títulos da imprensa portuguesa, como O Século, A Capital e A Época, e também no Brasil, onde viveu entre 1912 e 1917 e entre 1930 e 1964, afastando-se da atmosfera opressiva do Estado Novo.
Foi ainda conferencista de renome sobre as ideias feministas e sobre a ligação necessária entre o feminismo e a democracia, defendendo a coeducação, com currículos iguais para meninos e meninas, como instrumento fundamental para a emancipação das mulheres. Em 1907, ao assumir a direção da recém-criada revista Alma Feminina, abriu caminho à profissionalização de outras jornalistas em Portugal, determinando que todo o trabalho jornalístico da revista, exercido por mulheres, fosse remunerado. A sua presença no círculo intelectual e ativista e o respeito que alcançou internacionalmente deram visibilidade a uma mulher negra que nunca escondeu a sua orientação sexual.
“Virgínia Quaresma reúne na sua trajetória de vida e atuação profissional e política diversas questões prementes para os Estudos Culturais”, afirma Maria Manuel Baptista, Professora Catedrática em Estudos Culturais da Universidade de Aveiro. “Por isso escolhemos dar o seu nome a este prémio, que vem marcar o atual amadurecimento e fortalecimento deste campo científico em Portugal.”
